A razão do meu afeto



 




Já faz algum tempo que paira “no ar” uma nostalgia, uma saudade infindável dos “bons tempos”. Inclusive daqueles que nem vivemos. No hall dos suspiros podemos identificar valores, estilo de vida, pessoas e momentos. O diretor de cinema, Woddy Allen, sempre atento aos comportamentos sociais, retratou esse sentimento no filme “Meia noite em Paris”.



O design também mantém suas antenas ligadas e se apropria destes sentimentos para desenvolver objetos que entendem e atendem nossos anseios. Eles vêm carregados de significados. Esse é o motivo pelo qual escolhemos os objetos ao nosso redor: num processo nem sempre consciente, a gente se identifica com eles porque nos “dizem” algo. 

A enxurrada de produtos com estética retrô é resultado desta onda. Eles vão da moda e décor aos automóveis. Deve-se a isso também a ressureição do vinil e até aos filtros vintage do Instagram. Também ao hábito de garimpar em antiquários e brechós. Eles remetem ao passado e nos dão a impressão de podermos reviver um pouco do estilo de vida, valores, pessoas e momentos. Assim nos confortam e entram para a galeria dos objetos queridos.

Foi com o coração cheinho desta nostalgia que encontrei com a gaúcha Laura Folgierini Goldstein, designer e bordadeira.










A Laura tem 22 anos mas a alma é antiga: já nasceu vintage. O sonho de infância nunca foi um quarto rosa, porque gostava mesmo era do “bege”. Sempre teve jeito de gente grande e com sete anos de idade seu passatempo já era bordar na companhia das avós – bordadeiras profissionais. O trabalho da Laura é sua cara! Ou vice-versa. O que quero dizer é que Laura é  vintage até o último fio da franja. Ela me recebeu com um indefectível óculos de grau estilo gatinho de print tartaruga para me contar que até tentou seguir carreira de extra mega power  executiva mas decidiu enxergar os sinais da vida – e dos tempos – e se dedicar àquilo que nasceu para fazer: a habilidade de encher a vida das pessoas de mais afeto e significado.

A parceria mais recente foi firmada com a Toudou (sobre a qual já escrevi aqui) e daí estão surgindo bastidores e cadernos bordados com a temática da fauna e flora gaúchas. Lindo de morrer como vocês podem ver!













Além de bordar, também é especialista em restauração de livros e utiliza este conhecimento para fazer cadernos costurados manualmente, com papel reciclado e sobras de tecidos. Detalhe: num outro tipo de caderno, usa batatas como carimbo para as próprias estampas. Tudo tão adorável como sua avó fazia!


Designers igualmente atentos aos sinais dos tempos, também resgataram a técnica antiga do bordado e através de releituras criaram produtos super desejáveis, como se pode ver.


















Se você é dessa turma saudosa, acompanhe o trabalho da Laura:


Instragram: @laurafgoldstein

E ela também ministra cursos em POA. O próximo será de 20 a 22 de março. Informações:
https://www.facebook.com/events/544787925636025/?source=3&source_newsfeed_story_type=regular





Fotos utilizadas no post: Laura Goldstein, Toudou e divulgação. 

















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