Um passeio pela SP de Franz Heep

O coletivo SampaPé realizará neste sábado, dia 08, um percurso pelas principais obras do arquiteto alemão Franz Heep em São Paulo, como Circolo Italiano - o famoso Edifício Itália. A visita contará com o acompanhamento de Ed Lucchini, autor de mestrado sobre Heep, para detalhar seus projetos. O encontro está marcado para às 15 horas em frente a estação Anhangabaú de metrô. Você pode saber mais detalhes na página do evento no Facebook clicando aqui 










Franz Heep foi um dos nomes na criação de tipologias habitacionais modernas em São Paulo nos anos 1950. Com formação racionalista, concebeu a arquitetura como instrumento de racionalização da produção. Ajudou a consolidar um padrão arquitetônico, particularmente expressivo na região central e no bairro de Higienópolis, ao encontrar um efervescente mercado de construção civil, alimentado pelo processo de modernização e crescimento da cidade. Empregado no escritório de Jacques Pilon, imprimiu sua marca ao introduzir o brise-soleil como proteção nas fachadas ensolaradas, dando-lhes modulação, movimento, escala e ritmo. São exemplos dessa fase os edifícios do jornal O Estado de S. Paulo, o R. Monteiro, o Vicente Filizola.





                      Edifício sede do O Estado de S. Paulo. Hoje abriga o hotel Jaraguá

Mas é a partir de 1952, quando abre seu próprio escritório, que sua produção se afirma. A cidade vivia um intenso crescimento imobiliário, substituindo os antigos prédios feitos para renda ou aplicação, financiados pela aristocracia cafeeira e pelos industriais, por edifícios comercializáveis de escritório ou habitação econômica - as chamadas quitinetes - feitas por sociedades incorporadoras. Entre os seus projetos de quitinetes, destacam-se os edifícios Marajó, NormandieArapuan, Icaraí, Maracanã, Araraúnas, Iporanga e Arlinda. 

Como observa o pesquisador Marcelo Consiglio Barbosa, esses projetos têm alguns elementos recorrentes, que constituem a marca registrada do arquiteto: "caixilharia com ventilação cruzada nas partes superior e inferior; floreira e lâmina de concreto, geralmente curva, que separa externamente as unidades habitacionais; os terraços, que protegem os apartamentos da insolação excessiva; o apartamento com planta bem-resolvida, que, apesar de diminuta, possuía living-dormitório, armário embutido, banheiro e pequena cozinha. Esses edifícios apresentavam ainda características similares de planta, geralmente com unidades dispostas lado a lado, com acesso por corredor único e circulação vertical destacada do corpo da edificação".

                                                                   Edifício Tinguá                  




Edifício Ibaté, na Rua Augusta

Entre os edifícios de alto padrão que projetou, destaca-se o Ouro Preto, implantado em um lote que atravessa longitudinalmente todo o quarteirão, com acesso por duas ruas. Com uma planta em "H", o projeto dispõe os apartamentos para as vias. Nas fachadas, os dormitórios têm veneziana de correr com lâminas móveis, realçada na alvenaria recoberta com pastilha azul, alternadamente entre os andares pares e ímpares, formando um grafismo geométrico. A sala tem uma loggia que avança no alinhamento da calçada, e a varanda se descola do prédio vizinho por meio de uma veneziana fixa.

Seus projetos de prédios de escritórios também são referências, como o Edifício Itália e o São Marcos. O primeiro, sua obra mais conhecida, é um elegante arranha-céu concebido por meio de uma volumetria tripartite. Ocupando toda a área do terreno, o embasamento preserva a escala da rua e os espaços públicos de circulação, mantendo-o como passagem de pedestres entre as avenidas São Luís e Ipiranga. A segunda parte é formada por duas edificações menores, com oito pavimentos cada uma, implantadas nas empenas das edificações vizinhas, servindo de anteparo e contraponto visual para a torre, terceira e última parte da composição. Com estrutura independente de concreto armado e uma caixa estrutural central contendo as prumadas de circulação vertical, sua volumetria se afila em direção às extremidades, diminuindo sua massa à medida que se aproxima da esquina. Com estrutura de concreto aparente na fachada requadrando grandes panos de blocos de vidro, os dois volumes menores têm um tratamento que faz referência direta aos racionalistas europeus, como Pierre Chareau  e sua Maison de Verre.

Quando? 08/02- sábado
Que horas? 15:00, concentração, saída 15:30 pontualmente
Onde nos vemos? Estação Anhangabaú do metrô (saída da Rua Sete de Abril)

Duração aproximada: 3h30

Investimento:
Mínimo 25 reais
Sugerido 30 reais
Simpático 35 reais

Um comentário:

  1. A foto do edifício no Largo do Arouche é o Arlinda, não é o Tinguá como mencionado acima.
    Clovis.Casemiro@gmail.com

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