metrofobia conceitos e rascunhos

METROFOBIA

STORY LINE
Há quase uma década um homem vive confinado em seu apartamento. Uma história sobre fobia urbana e autismo opcional.

SINOPSE
Em uma metrópole qualquer um homem vive confinado em seu apartamento há nove anos. Entre fios, pensamentos, telefones celulares e controles-remoto, ele faz do seu apartamento um útero conectado ao mundo. Neste universo autista, ora ilimitado e por vezes claustrofóbico ele passa seus dias. Uma clausura vivida como escolha e hábito.

CONCEITO / CONCEPÇÃO
O filme retrata a fobia urbana por meio do protagonista X. Há quase uma década ele constatou que nada de especial acontecia no mundo, a consciência de que poderia sobreviver à margem da metrópole, confinado em seu apartamento, lhe deu outro sentido na vida. Em uma manhã qualquer ele deixa de sair de casa e decide manter este posicionamento até que exista uma real necessidade de mudá-lo.

Além de protagonista, X também é o mote dramático de METROFOBIA. Sua função dramática não é representar um mártir ou a apatia social. METROFOBIA somente reporta, por meio de X, um estilo de vida, o retrato de uma escolha. Como um cátedra/bacharel que usa as brechas da legislação, X encontra na convergência digital a solução para a sua vida baseada na exclusão. Seu apartamento passa a ser uma extensão do seu universo psicológico e, ao mesmo tempo, mediador entre suas necessidades e as ofertas mercantis pós-industriais. Cansado, irritado e com medo da metrópole ele usa todo o suporte de comunicação que tem a sua disposição às avessas. Ao invés de se render à teia global e à convergência digital ele usa a eficiência desse mesmo sistema para se isolar. Apesar da cidade não cessar o zunido estridente da música urbana em seus ouvidos, X continua sobrevivendo a sua maneira.

+ TRATAMENTO DE IMAGEM E LUZ
Para construir e retratar o universo de X a direção opta por explorar a texturas e granulações nas imagens, assim como contrastes e sombras. Contesta a nitidez e a toma como mentirosa em uma linguagem que busca o pixel. Imagens estouradas, contrastes, sombras e cores saturadas delineiam este mundo solitário, despido de sonhos e pretensões.

+ SEQUENCIA DE FOTOS I, II e III
O curta-metragem é composto por três seqüência de imagens. Elas serão montadas de maneiro videoclipada, como pípulas de informação que dão a audiência uma idéia de como X vê o mundo e como o mundo interpreta X.

EXT. NOITE. SEQUÊNCIA DE FOTOS I / SHOOTING DE PERSONAGENS URBANOS + SUBJETIVA DE UMA MOTO VAGANDO PELA NOITE DO CENTRO DE SÃO PAULO
Na cena 07 temos uma externa, com subjetiva de uma moto, com X vagando pela noite no centro de São Paulo. Durante o trajeto feito em câmera acelerada a audiência tem acesso a recorte de imagens a cada parada em farol, curva mais demorada ou manobra que X realiza. Periodicamente ele faz paradas, ora para comprar cigarros, ou para tomar algo. Nessas paradas ele encontra os personagens da cidade: menino de rua dormindo no caixa eletrônico do Copam, travesti, policial achacando michês. Os personagens paulistas são bem marcados e estereotipados. Sua caracterização é feita como em um styling de editorial de moda.

EXT. NOITE.CARRINHO DE DOG NA PORTA DA BOATE DANGER NO CENTRO DE SÃO PAULO.
Na cena 08 ao final do role de moto (cena 07) temos em primeiro plano a barraca de hot dog e alguns de seus freqüentadores. X está sentado o tempo todo, algumas pessoas passam pela barraca mas somente seus troncos e pernas entram em plano. Ao fundo a fila da Danger se forma, a casa abre,pessoas passam e o dia clareia. Toda a ação no background acontece em câmera acelerada.


DEZ ANOS EM 15 MINUTOS
Tanto figurino quanto caracterização brincam com a relação tempo-espaço em uma descontinuidade proposital. A cada divisão de cenas X utiliza acessórios e peças de roupa diferentes – o personagem usa somente cuecas, meias e tênis – provocando um deslocamento no tempo e reforçando o caráter habitualmente repetitivo das ações do protagonista.

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