paradoxos da moda: quanto mais pop, mais exclusivo


A Louis Vuitton, uma das marcas mais clonadas do mundo, de tempos em tempos faz um refresh em seu global marketing. A primeira vez que isso aconteceu, foi quando Jennifer Lopez estrelou a campanha mundial da marca que faz parte do império LVMH – Louis Vuitton Moet (Louis Vuitton Moët Henessy). A pop star conseguiu imprimir à tradição européia ares "pop global culture" que alcançaram as massas. Apesar das declarações oficiais de que o grupo não tem nenhum interesse em popularizar o label, quem é do ramo sabe que foi exatamente isso que aconteceu e que, muito provavelmente, era essa a real intesão.



Todo o mundo pôde sentir o reposicionamento da grife francesa. Entre os urbanóides terceiro mundistas os resultados foram ainda mais óbvios: vagões de metrô, trens e lotações foram inundados pelo monograma LV, todos eles falsos, adquiridos nos grandes centros de atacado. Há quem diga que o tiro saiu pela culatra... Como um bom flaneur acredito que tudo não passou de uma grande estratégia de massificação para incrementar o desejo existente ao redor da marca. Afinal, invariavelmente, a indústria de moda lida com a manipulação do desejo. Outro indício dessa necessidade de popularização pode ser observado com o lançamento da linha de bolsas em jeans, no momento que o conceito “premium denim” se transformou em obsessão das consumidoras endinheiradas.

Hoje o império do luxo Louis Vuitton possui cerca de 335 lojas exclusivas e 14 oficinas de produção que empregam mais de sete mil pessoas em 50 países. De acordo com a consultoria britânica Interbrand, somente a marca LOUIS VUITTON está avaliada em US$ 17.6 bilhões, ocupando a posição de número 17 no ranking das marcas mais valiosas do mundo. [ confira o post de Domingo, Julho 29: construção de marca, as 100 mais fortes do mundo ]



A nova estratégia do grupo desloca a imagem das bolsas e acessórios do universo pop de atrizes e cantoras e busca um reposicionamento de maior abrangência e em torno de seu real público: bem-nascidos e novos ricos. Annie Leibovitz assina as imagens da nova campanha que tem como ícones esportistas, estadistas e outros “formadores de opinião” como o ex presidente da Uniao Sovietica Mikhail Gorbachev, a atriz Catherine Deneuve, o casal de tenistas Andre Agassi e Steffi Graf.

Um comentário:

  1. adorei o uso de FLANEUR.... tb me considero como tal... observar o mundo em q se vive, acho q essa é a primeira lição que aprendemos... praticamente inato... mas q mtos criam um véu, disfarçando seu olhar... depois de divagações sobre o modo de ver... LV..jamais compraria uma.

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