mudo é a vovozinha!

Até o dia 19 de agosto acontece em São Paulo a I Jornada Brasileira de Cinema Silencioso, uma mostra que contempla mais de 30 filmes silenciosos - quem não tem boca, faringe e laringe não pode ser mudo ok? – que lançaram as bases da narrativa do cinema no Brasil e no exterior. O grande diferencial da mostra é o acompanhamento ao vivo, sob a coordenação do músico Lívio Tragtenberg. Entre os destaques nacionais estão Aitaré da Praia, de Gentil Roiz e Ary Severo, A filha do advogado, de Jota Soares e Jurando Vvingar, de Ary Severo, todos títulos representativos do cinema pernambucano da década de 1920.


No dia dos pais levei o meu para assistir a coletânea Filmes para Crianças que reuniu alguns clássicos franceses infantis do acervo da Cinemateca Brasileira. Os artistas Emile Cohl, George Mélies, Segundo de Chomón e Max Linder retratam com suas obras uma época em que o cinema ainda era visto por muitos como uma extensão dos espetáculos de mágica. Para dar ainda mais bossa à projeção, alguns filmes como Le Spectre Rouge (França, 1907, Segundo de Chomón) foram coloridos.

Também faz parte da mostra uma exposição com instalações cheias daquelas informações curiosas e pitorescas que o grande público adora. A diferença entre as bitolas de filme, o processo de filmagem, o registro de áudio na película e todas as outras informações necessárias para compreender como acontece a mágica da telona. Na Itália, há vinte anos, evento parecido é realizado em Porpenone. O Il cinema ritrovato, promovido em Bolonha, também exibe filmes silenciosos com o acompanhamento de solistas, grupos e orquestras.


“A idéia básica da curadoria musical para a I Jornada Brasileira de Cinema Silencioso é a diversidade de sons, idéias, tendências e expressões. Porque os filmes escolhidos também apresentam essa palheta ampla de temas, formas, ritmos e universos culturais. Assim se buscou contemplar um espectro de tendências e recuperar de forma retrospectiva momentos da história da relação entre música (e som) e cinema. Desde os pianeiros e os catálogos de peças feitas especialmente para o cinema silencioso até concepções atuais que combinam, entre outros elementos, a ruidagem, a eletrônica e a improvisação, por exemplo” Livio Tragtenberg, músico e responsável pela curadoria dos acompanhamentos musicais em depoimento para o do evento.



Serviço:
Cinemateca Brasileira
Largo Senador Raul Cardoso, 207
Tel. 11 3512-6111


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