cumplicidade despretensiosa, hedonista e libertária



Entre verdades e mentiras encontrava objetos em seu carro que não sabia de onde vinham. Entre saunas, esquinas e decepções chorava por trás dos óculos escuros enquanto tomava café forte na esquina. Entre uns e outros se sentia cada vez mais solitário. Até que, entre uma boca e outra, foi beijado por um desconhecido que não parecia igual aos outros...

O anônimo, entre uma mordida e outra, entre uma sinapse e outra, lembrava do som do salto de madeira de suas botas andando pelas calçadas. Entre um telefonema e outro, entre um gatorade e outro, tinha flashes da pista e suas luzes intermitentes. Entre uma aspirina e outra alternava momentos de êxtase e ressaca.

Hoje, juntos, eles dividem doces de padaria, decepções mundanas e uma cumplicidade despretensiosa, hedonista e libertária. Igual a meninos que se amam e como crianças que se encantam, eles se entendem pelo olhar e se guiam pelo cheiro... Até que a vida os separe.

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